Para aqueles que insistem em olhar sem ver, o Cerrado se apresenta em um cenário poeirento, infértil, monocromático. Mas não se deixe enganar por observações assim tão superficiais, é que a beleza desse bioma precisa arder em chamas para então florescer. Quanta vida há em seus galhos tortuosos, que driblam o fogo para continuar a crescer. No Cerrado, a queimada espontânea é garantia de continuidade. As labaredas aceleram a germinação de determinadas sementes e abrem espaço para diversas espécies, enquanto as cinzas do que antes estava morto e seco trazem de volta ao solo nutrientes que em poucos dias vão explodir em um vibrante jardim.

Com tanto pólen, néctar, flores e frutos à disposição não é de se estranhar que o bioma seja considerado o grande paraíso dos insetos. Estudos recentes mostram que a região é refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos. Répteis e anfíbios também ganham destaque na paisagem devido ao seu alto índice de espécies endêmicas: 17% e 28%, respectivamente. Além disso, mais de 11 mil plantas completam a diversidade biológica do local – números que fazem do Cerrado brasileiro a savana mais rica do planeta.

Entretanto, não se deve atribuir apenas ao fogo todo o esplendor do bioma. Aqui, a força vital das águas se une ao poder transformador das chamas, garantindo a biodiversidade e a prosperidade do espaço. Batizada de o “berço das águas”, a região é guardiã das nascentes das bacias hidrográficas Amazônicas, do São Francisco e da Prata – as três maiores da América do Sul. Atualmente, o Cerrado ocupa 22% do território nacional e é o segundo maior bioma latinoamericano, sendo um dos que mais tem sofrido com a exploração humana, principalmente por conta das constantes expansões realizadas pelo setor agrícola.

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Para nos ajudar a ver e apreciar a beleza deste bioma, além das plantas que selecionamos cuidadosamente para vocês, preparamos uma ilustração com elementos marcantes dessa mata ardente e tortuosa.