“Ao sobrevir das chuvas, a terra, como vimos, transfigura-se em mutações fantásticas, contrastando com a desolação anterior. Os vales secos fazem-se rios. Insulam-se os cômoros escalvados, repentinamente verdejantes. [...] Cai a temperatura. Com o desaparecer das soalheiras anula-se a secura anormal dos ares. Novos tons na paisagem: a transparência do espaço salienta as linhas mais ligeiras, em todas as variantes da forma e da cor. Dilatam-se os horizontes. O firmamento, sem o azul carregado dos desertos, alteia-se, mais profundo, ante o expandir revivescente da terra.

E o sertão é um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono. Depois tudo isto se acaba. Voltam os dias torturantes; a atmosfera asfixiadora; o empedramento do solo; a nudez da flora; e nas ocasiões em que os estios se ligam sem a intermitência das chuvas – o espasmo assombrador da seca.”

As palavras precisas de Euclides da Cunha, em Os Sertões, acrescentam toques de poesia à descrição assertiva cunhada pelos povos indígenas sobre o semiárido nordestino. Em tupi, Caatinga significa “floresta branca”, referência à estação seca da região, época em que  grande parte das plantas perde suas folhas, concedendo espaço a uma paisagem clara e esbranquiçada – que depois explodirá em extravagância com a chegada das chuvas.

Apesar de ser o único bioma exclusivamente brasileiro – ou seja, um patrimônio biológico não encontrado em nenhuma outra região do mundo, a Caatinga é o bioma menos conhecido do país, com poucas coletas realizadas. Sua área ocupa cerca de 11% do Brasil, com mais de 840 mil km², sendo o principal ecossistema do nordeste. O sistema de chuvas que divide o ano em dois períodos – chuvoso e seco – é uma das principais características deste local único. Outro ponto que o coloca em destaque quando comparado a outras regiões semiáridas do planeta foram as variações de eventos quentes e frios que ocorreram há milhares de anos, fazendo a vida se estabelecer de forma peculiar.

A diversidade de minerais, profundidades e texturas das rochas, por exemplo, influenciou numa maior ou menor capacidade de retenção de água. Já os longos períodos secos permitiram apenas a adaptação de plantas capazes de suportar a falta de chuva. Além disso, o contato com o cerrado e as florestas amazônica e atlântica contribuiu para a formação desse cenário singular e tão representativo da realidade brasileira.

SAIBA MAIS SOBRE OS OUTROS BIOMAS:

CAATINGA
COLEÇÃO

CAATINGA

Para contribuir com a lembrança deste bioma exclusivamente brasileiro, além das plantas que selecionamos cuidadosamente para vocês, preparamos uma ilustração com elementos dessa natureza tão particular.